terça-feira, 13 de maio de 2014

Atividade 3.6 Os Ombros Suportam o Mundo ( Carlos Drummond de Andrade)

Os Ombros Suportam o Mundo

                          ( Carlos Drummond de Andrade)

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. 
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos. 
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 
Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo 
prefeririam (os delicados) morrer. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação.

Ao ler este poema, a primeira parte foi o que mais me tocou, onde fala: “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil“, pois hoje em dia as pessoas não seguem mais os ensinamentos de Deus como prioridade, e sim o TER, e não se fala mais meu amor, mas como antes, se fala hoje meu bem, para amanhã dizer meus bens. Portanto o mais precioso esta ficando apenas no poema.

Talvez seja por isso que a educação esteja priorizada apenas em número $ e não no amor na dedicação.
                                                                                                                                 Jucimária

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